sábado, 6 de junho de 2009

Vôo 447, uma visão para o futuro

Todos assistimos perplexos essa semana ao desaparecimento do Airbus 330 no vôo 447 que ia do Rio de Janeiro para a França. É de se admirar a capacidade do ser humano em se comover em fatos como esse porque, para nós seres humanos, é praticamente impossível pensar em algum sobrevivente indefeso no meio do mar e ficar com os braços cruzados, deixando-o boiar até a morte. Vimos quanta solidariedade de todos os países no resgate, tentando, enquanto houver esperança, encontrar algum sobrevivente. Agora façamos uma analogia com o vôo 447. Se possível fosse, vamos imaginar o mundo, a Natureza com toda sua fauna e flora, fazendo a mesma viagem do Rio de Janeiro para Paris. Assim como o vôo 447, o mundo desapareceu nas águas do oceano Atlântico. Podemos imaginar toda a Natureza boiando no mar, indefesa, esperando por nosso socorro e salvação. Essa é a nossa realidade hoje, a diferença é que temos certeza que nesse vôo houve sobreviventes. A Natureza não está no oceano e sim ao nosso redor esperando ser salva, mas simplesmente fechamos os olhos e a deixamos boiar até a morte. É algo impressionante como não nos comovemos com a devastação em um mês de uma área do tamanho da cidade do Rio de Janeiro na floresta Amazônica. Como não nos comovemos com a poluição incessante dos nossos rios pelas indústrias. Como desperdiçamos a água que é o bem mais vital que possuímos. Como deixamos, sem nenhum constrangimento, os animais se extinguirem. E essa realidade é a de todos nós, sem perceber que por enquanto é a Natureza que está no oceano clamando por socorro. Quando não houver mais esperança de encontrar sobreviventes nesse contexto, embarcaremos todos nesse mesmo vôo, mas talvez esse dia seja tarde demais para a esperança de sobrevivermos.